terça-feira, 22 de agosto de 2017

Pela flor que morre, choro.


(meu belo boungaiville está morrendo)

 Despedir-se de uma flor
É humanamente triste.
Hão de zombar do que sinto.
Ora, com tantas dores no mundo,
Pessoas em guerra.
Fome. Doenças.
Gente sem teto.
Aquecimento global.
Governantes espúrios e políticos corruptos!
E vem aqui a chorar por flores?

Tonta.
Desumana.
Despolitizada.
Louca.

Não argumento nada em minha defesa.
Apenas lamento.
Choro igualmente pelos que não compreendem
A dor de ver morrer um pé de flor!
Estes nunca ouviram o sussurrar das pétalas
A me consolar
Quando sozinha
Pelas dores do mundo
Eu sofria.
E sofro.
Nem acordaram com o cantar de um pássaro 
Que ali construiu,
com extrema delicadeza
seu ninho.
Um ninho de louvor a vida neste planeta!

Não sorriu como eu
quando a brisa, que nos seus ramos rodopiavam
Saudando-me com um
Bom dia!
Nunca perceberam que foram minhas mãos
que a plantou e regou
Nem a viu vencer uma praga
Vendo-a reviver
Lutar
Reerguer-se
(como muitos humanos não sabem o como)
Na medida de um amor de flor
De cachos vermelhos
Que durante vinte e tantos anos
Encheram-me de alegria.
Fonte de elogios pela rubra beleza.
Envolveram meu ninho de amor,
Minha casa, meu lar
Protegendo-me dos estranhos com seus espinhos
Se assim o fosse necessário.
Uma cerca viva de verdejantes ramos e flores
Da cor do sangue que corre em minhas veias
E que fazem bater esse meu coração
Aqui dentro de meu peito.

Já perdi um ipê roxo elegante e sereno.
Agora estou me despedindo
De meu bougainville protetor,
Corajoso e majestosamente belo.

Sim.
Sou louca.

Louca de amor
por cada flor que tenho.
Louca de amor por aves
Apaixonada por meus cães pastores.
Sou um ser estranho.
Prefiro mais bicho e flores do que gente.

Que pena tenho de mim.
De ti, minha flor, terei saudade.
Sempre é doloroso
Dar adeus a quem ou a algo que amamos.
E que se vão mesmo contra vontade,
Pois é o término inevitável do ciclo de sua vida.

Maria Izabel Viégas

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Autora em desassunto

Hoje volto ao blogue,
relembrando Mario Quintana:

" Um autor, primeiro, é assunto.
Mas a glória mesmo, é quando ele vira falta de assunto."

Preciso definir alguns pontos:
Sobre o autor.
Aqui não está um autor.
Aqui quem escreve é um impostor.
Feminino -  uma impostora.
Ousando refletir sobre algo
que nem tem mínima ideia
do que seja.
Ela, a impostora,  então, inventará.
Logo, além de impostora,
Ser inventora - a definirá?
Inventando que sua falta de assunto
Encantará seus ouvintes.
Na certeza, que ninguém a ouvirá.
Logo, além de impostora, e inventora,
Mente - é mentirosa?

Penso , pois a conheço muito bem
Que ela esconde algo.
O seu real assunto:
Expor sua opinião
Sobre a "perplexidade
Desses"assuntos"
(deploráveis) que são notícias:
"Aqueles que despertam o gozo das multidões:
Esse prazer mórbido pela miséria do mundo.
O desumano prazer desmedido pela desgraça
O encantamento por assuntos fúteis e vazios."

Vou acrescentar mais um ponto:
Além de não se autora, impostora e mentirosa,
É extremamente presunçosa.
Lógico!
Como se atreve a julgar aqueles
ouvintes inexistentes que nem sonham que ela exista?
E que têm direito de ouvir outros assuntos
de outros autores que se assumem como tal
e são reais?

E eu, aqui, me divirto
Ela conseguiu redigir (até agora)
Trinta e oito linhas
sobre exatamente nada!

* O seu "sem assunto", meu "desassunto" é realmente encantador, meu nobre Mario Quintana!

Maria Izabel Viégas

O Renasço Ocaso começou aqui: Quer ler? Vou gostar!

Sou por acaso o ocaso

Se sou ocaso Serei o fim Do sonho de estar  em vida? Ou serei Um sonho de transformar-me No sono daquilo que Se agiganta E me...