domingo, 8 de outubro de 2017

Descobridora de insignificâncias



"Poderoso pra mim 
não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso 
é aquele que descobre
as insignificâncias 
(do mundo e as nossas)
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei." 

 - Manuel de Barros -

Foi assim 
Que, como Manoelito,
o poeta, fiquei corpo e alma
Feliz da vida!
Descobri, enfim:
Sou imbecil
Amo as insignificâncias
Aquelas das quais
O homem nem nota.
Nem cobiça.
Ouro e fortuna é que provocam ambição.
Ouvi de um trabalhador,
ontem, quando tentava
canalizar água numa construção.
E só encontrava terra dourada
e escavando, reclamava:
 - Bem que me aprazia ser ouro.

Como vivo a rebuscar
Tesouros guardados em
Pedras, musgos e novas flores
Tive a maior das venturas
Bem ali no meu jardim
Eis que ela surgiu
De um buraco negro?
Pode ser.
Tudo é possível. 
Nas minhas terras.
De uma formosura imensa
Uma pedra delicadamente bruta
Que reluzia de tanta simplicidade

(A simplicidade tem um fulgor
Que só os tais imbecis nasceram
Com poder mágico de descobrir!)

Ali no meio do nada
(O meio do nada revela mistérios) 
Ela, uma pedra preciosa
A pedra mais linda
que meus olhos já viram.
Vestida de musgo rendado
e  filetes alvos qual hieróglifos
Escritos por seres da floresta
Ou nem sei por quem.

Olhou- me,
bem nos olhos
Sorriu 
(pedra sorri só para os imbecis) 
E me revelou: 
- Sou toda sua.
Senta aqui ,
Preciso lhe contar
muitas histórias do mundo
E das significâncias
do Povo de Pedra.
Há séculos nós a esperávamos.

E foi assim
Ficamos horas a contar nossos segredos.
Sem que uma palavra sequer
Fosse ouvida pelos homens do ouro.
Só pelos imbecis.

Creio que as insignificâncias
e os imbecis adoradores da simplicidade,
Estes, ganharão o reino dos céus.

Bem,
foi mesmo assim.
Eu chorei.
E fui feliz
Os imbecis do poeta
Nascem com os pés num outro mundo.

Maria Izabel Viégas

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Mais jardins sobre a terra





"No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim.
E, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta
e o sem - fim,
a asa de uma borboleta."

Cecília Meireles


Um jardim, sim.
É necessário ter um jardim.
Vicejam aqui no mundo virtual.
Lindos na tela,
sem perfume
Aqui, do outro lado da tela,
Decepção, conto - os nos dedos.
Neles, nem lilases nem violetas.
Só arbustos.
Flores e folhas?
Absurdo!
Sujam muito o chão.

Plantei um pé de maracujá.
Cresceu lindo.
Espalhou.
Elevou - se.
Esparramou.
Encantou.
Encheu - se de flor.
Mas, que tristeza.
Por falta de borboletas
Assassinadas por agrotóxicos.
Não nasciam os frutos.

Sabem quem borboleteou,
Polinizando uma a uma?
Nós, uns seres humanos esquisitos
Que, teimosos, insistimos
em recordar que essa terra plana
Esse solo plano
Na verdade é redondo
E ainda um planeta
Repleto de mentes quadradas..

O nosso planeta
Que precisa de
flor,
jardim,
canteiro,
E de seres humanos
que, pelo menos,
no meio
de um dia inteiro,
seja "adorador de borboletas".
Tenha paciência com elas.
Se não for...
Equilíbrio não tem.
E, quem sabe,
Nem borboleta,
nem flor.
nem ser humano,
nem planeta.

Maria Izabel Viégas

O Renasço Ocaso começou aqui: Quer ler? Vou gostar!

Sou por acaso o ocaso

Se sou ocaso Serei o fim Do sonho de estar  em vida? Ou serei Um sonho de transformar-me No sono daquilo que Se agiganta E me...