sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Mais jardins sobre a terra





"No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim.
E, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta
e o sem - fim,
a asa de uma borboleta."

Cecília Meireles


Um jardim, sim.
É necessário ter um jardim.
Vicejam aqui no mundo virtual.
Lindos na tela,
sem perfume
Aqui, do outro lado da tela,
Decepção, conto - os nos dedos.
Neles, nem lilases nem violetas.
Só arbustos.
Flores e folhas?
Absurdo!
Sujam muito o chão.

Plantei um pé de maracujá.
Cresceu lindo.
Espalhou.
Elevou - se.
Esparramou.
Encantou.
Encheu - se de flor.
Mas, que tristeza.
Por falta de borboletas
Assassinadas por agrotóxicos.
Não nasciam os frutos.

Sabem quem borboleteou,
Polinizando uma a uma?
Nós, uns seres humanos esquisitos
Que, teimosos, insistimos
em recordar que essa terra plana
Esse solo plano
Na verdade é redondo
E ainda um planeta
Repleto de mentes quadradas..

O nosso planeta
Que precisa de
flor,
jardim,
canteiro,
E de seres humanos
que, pelo menos,
no meio
de um dia inteiro,
seja "adorador de borboletas".
Tenha paciência com elas.
Se não for...
Equilíbrio não tem.
E, quem sabe,
Nem borboleta,
nem flor.
nem ser humano,
nem planeta.

Maria Izabel Viégas

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Homem, não destrua a Amazônia





"Se estamos destruindo a Amazônia, estamos destruindo a nós mesmos."  

Renato Gimenez de Oliveira




Para todo aquele
que como eu, 
ama a natureza,
do grão de areia ao infinito pó das estrelas!


Li, certa vez, a história de uma tradição indígena,
conto para vocês:

Quando os índios precisavam cortar uma árvore,
faziam uma celebração, um ritual.
Escolhiam uma, 'apenas uma'.
Todos dançavam em torno dessa determinada árvore.
E começavam com paus a bater no seu tronco.
E depois, rapidamente, corriam e se dirigiam à outra e a cortavam.
O porquê?
Pois que eles sabiam que a árvore que eles rodeavam
ficava assustada, aflita
tomada medo da morte que se anunciava.
A pobre árvore escolhida permanecia ali,
alerta e acordada,
num estado de crise, tensa, apavorada.
Enquanto as outras, no entorno, com o susto e medo,
desmaiavam, desfaleciam de tão tensas.
Logo, eles não feriam a que a alma sofria.
Eles cortavam uma que estivesse anestesiada,
não sofresse tanto.
E, aos pés da árvore abatida faziam um canto pedindo perdão!

Será que um dia, nós só abateremos apenas uma,
aquela que se faz necessária, 

pelos motivos de subsistência?
Que pena, 

triste evolução do ser humano,
lá no bem longe,
nós perdemos esse contato
com a alma do mundo!

Maria Izabel Viégas

O Renasço Ocaso começou aqui: Quer ler? Vou gostar!

Sou por acaso o ocaso

Se sou ocaso Serei o fim Do sonho de estar  em vida? Ou serei Um sonho de transformar-me No sono daquilo que Se agiganta E me...